sábado, 15 de junho de 2013

Contra a intolerância e a violência

Centro de SP virou praça de guerra.
A ordem para atacar veio de cima.
Não demora, e a coisa chega em Minas
A firme disposição das autoridades governamentais de impedir, delimitar e até pautar as manifestações públicas neste período de jogos da Copa das Confederações é um problema e está na raiz dos eventos que abalaram São Paulo e outras capitais durante a semana.
Já participei de muitas manifestações públicas.
Greves, passeatas, comícios e tudo o mais. A Polícia Militar sempre jogou pesado.
A PM tende a ser truculenta inclusive por força da preparação que recebe – e tem que receber – para a repressão ostensiva.
Por isso mesmo, a PM precisa ser contida pela orientação dos governadores e secretarias de Segurança Pública.
Também já participei de muitas manifestações onde a PM atuou apenas no apoio logístico, disciplinando o trânsito e assegurando o transcurso pacífico das coisas.
A diferença está na orientação, ou melhor dito, no comando que vem de cima.
No caso de São Paulo, e acredito que nas outras capitais, o fato é que orientação recebida pelos policiais alimentou e impulsionou o gênio repressivo da tropa de choque.
Não vamos permitir “vandalismo”, garantiu o governador Geraldo Alckmin. “Será tolerância zero contra atos de vandalismo”, repercutiu o tenente-coronel Marcelo Pignatari, comandante da operação montada para “acompanhar” o protesto.
O resultado foi o que se viu.
Cenas tristes, de causar indignação e revolta, com a polícia investindo indiscriminadamente contra as pessoas – contra todas as pessoas, inclusive passantes, jornalistas, fotógrafos e quem estivesse ao alcance do punho ou de uma bala de plástico.
A consequência foi aumentar e não reduzir a a desordem.
Nunca vi manifestação que não tivesses seus vândalos – sempre grupos ultra minoritários e que precisam, sim, serem contidos seja pela direção do movimento, o que nem sempre é possível, seja pela polícia.
O ataque indiscriminado a todos transforma essa minoria em uma maioria desesperada, machucada e fora de controle em questão de minutos.
O pior – se é que pode haver pior nisso – é que a violência não tem se restringindo ao confronto nas ruas. As notícias dão conta de pessoas presas, fianças de soltura desproporcionais e há o destaque, o imenso destaque dado pela grande mídia às cenas de truculência e vandalismo.
Por esse caminho não vai dar. E a tendência é de piora.
Em Minas, o Governo estadual conseguiu uma liminar concedida na última quinta-feira (13), expedida pelo desembargador Barros Levenhagen, restringindo as manifestações durante os jogos da Copa das Confederações no Estado. Os alvos são o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais - Sind-UTE/MG e o Sindicato dos Servidores da Polícia Civil Estado de Minas Gerais – Sindpol/MG.
Em tempo: nos últimos oito anos, o número de passageiros transportados nos ônibus paulistanos disparou, mas a frota total de coletivos diminuiu no mesmo período. Em 2004, na gestão de Marta Suplicy (PT) eram cerca 1,6 bilhão de passageiros transportados nos ônibus da capital. Ano passado, esse número chegou a 2,9 bilhões. Cada ônibus passou a transportar cerca de 80% mais passageiros. Os números são da própria Secretaria Municipal de Transportes de lá. Quem vive em São Paulo sabe o quanto está cada vez mais insuportável viver lá. É por isso que o movimento contra a alta no custo das passagem – que, em verdade, protesta quanto à péssima qualidade do serviço de forma geral – acabou atraindo outros grupos insatisfeitos e movimentos reivindicatórios. Virou ponto de convergência.
Acesse no Portal G1 a matéria Liminar do TJMG restringe protestos durante Copa das Confederações.